10 apps para aprender inglês no celular, separados pelo que cada um treina
Vocabulário, pronúncia, conversa e escuta pedem ferramentas diferentes. Veja dez apps de inglês disponíveis no Google Play, o que cada um trabalha e como combinar dois ou três numa rotina curta.
Quem decide estudar inglês pelo celular costuma instalar o app mais famoso, usar por duas semanas e desistir. Muitas vezes o problema não é falta de disciplina. É que cada aplicativo é bom numa parte do idioma e fraco em outra, e ninguém avisa isso na hora do download.
Um app de lições curtas ajuda a criar o hábito e a decorar palavras, mas quase não faz você falar. Um app de pronúncia corrige o seu sotaque, mas não ensina gramática. Um app de conversa com nativos coloca você para usar o idioma de verdade, mas assusta quem ainda está no começo.
Por isso esta lista está organizada pelo que cada app treina. No fim há uma sugestão de como juntar dois ou três deles numa rotina de quinze a vinte minutos por dia.
Antes de escolher: o que o celular faz bem e o que não faz
O celular é ótimo para repetição. Revisar palavras no ônibus, ouvir uma frase três vezes seguidas, fazer um exercício de cinco minutos na fila do mercado: tudo isso soma, e o app lembra você de voltar no dia seguinte.
Ele é pior para duas coisas. A primeira é a produção longa: escrever um texto de verdade ou sustentar uma conversa de dez minutos. A segunda é a explicação de dúvidas específicas, aquela pergunta que só um professor ou um colega mais avançado responde bem. Os apps de conversa com inteligência artificial e os de intercâmbio com nativos tentam cobrir essas lacunas, cada um do seu jeito.
Outro ponto: quase todos os apps desta lista são gratuitos para baixar e oferecem uma parte do conteúdo sem pagar, mas liberam o restante numa assinatura. O cartão de cada app mostra se há compras no app e se ele exibe anúncios. Vale usar a versão gratuita por algumas semanas antes de assinar qualquer coisa.
1. Duolingo: para criar o hábito
O Duolingo passa de 500 milhões de instalações no Google Play, como mostra o cartão. As lições são curtas, com exercícios de traduzir, ouvir, montar frases e repetir em voz alta. O sistema de sequência de dias e de pontos foi feito para você voltar amanhã, e funciona para muita gente.
O ponto fraco é que as frases são soltas e às vezes artificiais. O Duolingo é um bom primeiro passo e um bom complemento, mas sozinho raramente leva alguém a conversar com segurança.
2. Babbel: para quem quer um curso com começo, meio e fim
O Babbel se parece mais com um curso tradicional. As lições seguem uma sequência de temas do dia a dia, como se apresentar, pedir comida e falar de trabalho, e trazem explicações curtas de gramática no meio dos exercícios.
A maior parte do conteúdo exige assinatura. Faz sentido para quem gosta de seguir um roteiro e prefere entender a regra antes de praticar.
3. Busuu: para receber correção de outras pessoas
O Busuu também organiza o conteúdo em níveis e lições, mas tem um diferencial: você pode enviar exercícios escritos ou falados e receber correções de falantes nativos que usam o app. Em troca, você corrige quem está aprendendo português.
Essa troca é útil porque uma pessoa percebe erros que um exercício automático não pega, como uma frase gramaticalmente certa, mas estranha.
4. Memrise: para vocabulário com contexto
O Memrise ficou conhecido pela memorização de palavras com revisão espaçada, a técnica de mostrar de novo cada palavra pouco antes de você esquecê-la. Nas versões mais recentes, ele traz vídeos curtos de falantes nativos dizendo as frases, o que ajuda a ouvir como a palavra soa fora do livro.
É uma boa escolha para quem já entende a estrutura básica do inglês e sente que o problema é falta de vocabulário.
5. Cake: para expressões do dia a dia
O Cake usa trechos curtos de vídeo e áudio para ensinar expressões que aparecem em conversas reais. A ideia é ouvir a frase no contexto, repetir e depois revisar com pequenos testes.
Funciona bem como complemento para quem já sabe o básico e quer soar menos “de livro”. Para começar do zero, um app com mais estrutura ajuda mais.
6. ELSA Speak: para pronúncia
O ELSA Speak é focado em pronúncia. Você fala uma palavra ou frase e o app aponta quais sons saíram diferentes do esperado. Sons que o português não tem, como o “th” de “think” e a diferença entre “ship” e “sheep”, são exatamente o tipo de coisa que ele ajuda a treinar.
Vale para qualquer nível, mas rende mais para quem já entende o que lê e trava na hora de falar porque não confia na própria pronúncia.
7. Speak: para conversar sem plateia
O Speak propõe conversas com uma inteligência artificial em situações do cotidiano, como pedir informação, fazer uma entrevista de emprego ou contar como foi o fim de semana. Você responde falando, e o app sugere formas mais naturais de dizer a mesma coisa.
O maior valor está em praticar a fala sem a vergonha de errar na frente de alguém. A desvantagem é que a IA é sempre paciente e previsível, e uma conversa real não é.
8. HelloTalk: para conversar com pessoas de outros países
O HelloTalk é uma rede de intercâmbio de idiomas. Você encontra pessoas que falam inglês e querem aprender português, e as duas partes se ajudam por mensagens, áudios e chamadas. O app tem ferramentas para corrigir a frase do outro dentro do chat.
É uma das formas mais baratas de usar o idioma com gente de verdade. Como em qualquer rede social, cuidado com dados pessoais: não compartilhe endereço, telefone ou informações financeiras com quem você conheceu no app.
9. Tandem: a mesma ideia, com outra comunidade
O Tandem funciona de forma parecida com o HelloTalk: você procura parceiros de intercâmbio com interesses em comum e conversa por texto, áudio ou vídeo. Muita gente mantém os dois instalados, porque cada comunidade tem perfis diferentes.
Uma dica prática para os dois apps: combine logo no começo quanto tempo cada idioma vai ocupar na conversa. Sem isso, é comum a conversa acontecer toda no idioma de quem fala melhor.
10. LyricsTraining: para treinar o ouvido com música
No LyricsTraining, que na loja aparece como Aprenda Inglês com Música, você escolhe uma música e preenche as palavras que faltam na letra enquanto ela toca. Parece brincadeira, mas é um treino de escuta real: você precisa separar palavras que, cantadas, emendam umas nas outras.
É o tipo de app que funciona melhor como pausa entre estudos mais sérios, e é ótimo para manter contato com o idioma nos dias sem ânimo.
Tabela rápida: o que cada app treina
| App | Foco principal | Melhor para |
|---|---|---|
| Duolingo | Hábito e frases básicas | Iniciantes |
| Babbel | Curso estruturado | Quem gosta de roteiro |
| Busuu | Correção por nativos | Escrita e fala |
| Memrise | Vocabulário | Intermediários |
| Cake | Expressões do cotidiano | Quem já sabe o básico |
| ELSA Speak | Pronúncia | Todos os níveis |
| Speak | Conversa com IA | Quem trava para falar |
| HelloTalk | Intercâmbio com nativos | Prática real |
| Tandem | Intercâmbio com nativos | Prática real |
| LyricsTraining | Escuta | Complemento |
Como montar uma rotina de 20 minutos
Instalar os dez apps não ajuda. O que costuma funcionar é escolher um app de base e um ou dois complementos.
Para quem está começando do zero, uma combinação possível é Duolingo ou Babbel como base, com dez a quinze minutos por dia, e o LyricsTraining duas ou três vezes por semana para treinar o ouvido.
Para quem entende bem o que lê, mas não consegue falar, a base pode ser o Speak ou o ELSA Speak, com uma conversa por semana no HelloTalk ou no Tandem para testar o que aprendeu com uma pessoa de verdade.
Para quem já conversa, mas sente que o vocabulário é limitado, o Memrise ou o Cake ajudam a ampliar as expressões, e o Busuu dá correções nos textos que você escrever.
Em qualquer caso, alguns hábitos ajudam mais do que o app escolhido.
Estude no mesmo horário todos os dias. Ligar o estudo a algo que você já faz, como o café da manhã ou o trajeto do trabalho, reduz o esforço de lembrar.
Fale em voz alta, mesmo quando o exercício não pede. Repetir a frase do app em voz baixa ou só na cabeça treina muito menos do que dizer de verdade.
Consuma algo em inglês fora dos apps. Uma série com legenda em inglês, um podcast curto ou as configurações do celular trocadas para inglês colocam o idioma na sua rotina sem esforço extra.
Revise o que já viu. A maioria dos apps tem uma área de revisão. Ela é menos divertida do que uma lição nova e é justamente a que fixa o conteúdo.
Perguntas frequentes
Dá para ficar fluente só com aplicativo?
Depende do que você chama de fluente e de quanto tempo você dedica. Os apps ajudam muito com vocabulário, escuta e pronúncia, mas a conversa longa, com improviso, costuma exigir prática com pessoas, seja num intercâmbio pelo app, num curso ou no trabalho.
Qual é o melhor app para quem não sabe nada de inglês?
Os mais estruturados, como Duolingo e Babbel, são os mais fáceis para começar, porque guiam o passo a passo. Apps de conversa com nativos rendem mais depois que você já consegue formar frases simples.
Vale a pena pagar a assinatura?
Use a versão gratuita por algumas semanas primeiro. Se você abriu o app quase todos os dias nesse período e sente falta do que está bloqueado, a assinatura tende a valer. Se não abriu, pagar não vai mudar isso.
Os apps funcionam sem internet?
Alguns permitem baixar lições para usar offline, geralmente na versão paga. Os apps de conversa, tanto com IA quanto com pessoas, dependem de internet.